quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Ensino Primário na Primeira República


A República prometera muito, mas não fora capaz de alcançar a estabilidade suficiente para cumprir as suas promessas e abrir Portugal ao progresso, ao desenvolvimento. Uma das promessas republicanas prendia-se com a reforma do ensino. Esta reforma começou pela instrução primária, por ser através dela que se procurava conseguir a transformação mental do país.

A reforma do ensino primário foi publicada por decreto de 29 de Março de 1911. Segundo esta reforma, o ensino primário seria dividido em três escalões: o elementar, o complementar e o superior.

O elementar era obrigatório para todas as crianças de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os sete e os catorze anos. Os outros escalões eram facultativos.

O ensino primário elementar tinha a duração de três anos, dos sete aos nove anos, e tinha quatro grupos de intenções: literárias, científicas, artísticas e técnicas. O primeiro grupo incluía a Leitura e a Escrita, Noções de Geografia e Educação Social, Económica e Civil; o segundo grupo, as quatro Operações Aritméticas, o Sistema Métrico, Geometria Elementar, notícias dos produtos comuns da natureza e conhecimentos dos fenómenos naturais mais vulgares; o terceiro grupo, Desenho e Modelação, Canto Coral e dicção de Poesias; o quarto grupo, Higiene, Ginástica, Jogos, Trabalhos Manuais e Agrícolas.

O decreto previa que em Agosto de cada ano, as Juntas de Paróquia tivessem a obrigação de efectuar o recenseamento de todas as crianças em idade escolar, nas respectivas freguesias, incorrendo em multas se o não fizessem. Por sua vez, os pais eram obrigados a apresentá-los às matrículas.

A par das escolas oficiais, o Estado admitia as escolas particulares.

A exigência do recenseamento das crianças em idade escolar tinha como objectivo combater o analfabetismo.

Findo o ensino primário elementar, e se a criança não quisesse prosseguir os seus estudos, havia a frequência do ensino primário complementar, com duração de dois anos, dos dez aos doze anos. Tratava-se de uma frequência facultativa e gratuita. Ao ensino primário complementar, a que se seguia o ensino primário superior, igualmente facultativo e gratuito, com a duração de três anos, dos doze aos catorze anos, e em regime de coeducação.

O governo republicano acreditava que podia resolver algumas das questões de fundo do ensino primário através da descentralização do ensino, da melhor preparação científica e pedagógica dos professores primários e da melhoria das suas condições económicas. Apesar da descentralização, o ensino primário continuou a correr mal.

Por decreto de 10 de Maio de 1919, estabeleceu-se uma solução intermédia que atribuía a gestão dos serviços do ensino primário a Juntas Escolares. Inicialmente, teve o apoio dos professores, mas tratou-se de uma solução que durou pouco, uma vez que por decreto de 12 de Maio de 1922, foi determinada, pelo menos em parte, a sua dissolução.

A reforma do ensino primário de 29 de Março de 1911 foi sofrendo alterações ao longo dos anos, acabando, mesmo, por ser substituída por outra, datada de 10 de Maio de 1919. Esta foi, de igual modo, sendo alterada. A reforma de 1919 previa a obrigatoriedade escolar de cinco anos e não de três como fora estabelecido na reforma de 1911. O ensino primário e o complementar da reforma de 1911 fundiram-se num só, com a designação de ensino primário geral, de frequência obrigatória, seguindo-se-lhe o ensino primário superior. Algo estava a ser feito ao nível do ensino e no combate ao analfabetismo, mas a mobilidade e indisciplina partidária arrastavam consigo os governos que se sucediam, pondo em causa a exequibilidade de algumas reformas e o combate ao analfabetismo, um dos grandes atrasos que o país enfrentava.


Escola Tradicional



Sala de aula com mobiliário completo



Joaquim de Carvalho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Exposição de ilustrações de t-shirts pelos alunos

Desde quando verde combina com vermelho?


A minha T-shirt da República tem como objectivo a criação de uma ilustração original para ser aplicada numa t-shirt que irá celebrar o Centenário da República. As t-shirts vencedoras (uma por escalão de ensino) poderão vir a integrar os produtos de merchandising do Centenário da República 2010.



Na biblioteca (ao longo desta semana) poder-se-á apreciar as ilustrações das t-shirts executadas pelos alunos do 7º C e D e 12º I, nas aulas de Educação Visual e Oficina das Artes do professor Alexandre Ribeiro, entre as quais se encontram também as seleccionadas e concorrentes a este concurso nacional.



Texto colhido/adaptado de Blog da Biblioteca da Escola

terça-feira, 23 de março de 2010

O Caminho-de-Ferro em Lousada


Centro de Louzada

A linha do Tâmega revelava-se insuficiente para as necessidades da população de Penafiel, Lousada e Felgueiras. Estes concelhos estavam isolados no progresso e nas comunicações. Não havia ainda o transporte rodoviário, só o caminho-de-ferro que era a ligação rápida da época. A 13 de Dezembro de 1908, nos Paços do Concelho de Lousada, com a sala repleta de interessados, o Sr. Visconde de Lousada, presidente da comissão central de Lousada para a subscrição de acções, salientou, em frase fluente, eloquente e persuasiva, as vantagens que a população do concelho teria na construção da via férrea.

Ponte de Ponterrinhos

Em Fevereiro de 1909, começavam os primeiros trabalhos para a organização da planta dos terrenos por onde devia passar o caminho-de-ferro. Em Lousada, a linha atravessava o concelho nas freguesias de Lodares, Nevigilde, Nespereira, Boim, Cristelos, Silvares, Nogueira, Alvarenga, Santa Margarida e São Miguel.

Ponte de S. Miguel

O projecto da construção da linha férrea dá entrada no Ministério das Obras Públicas a 28 de Março de 1909. Em Março de 1910, estavam concluídas todas as formalidades legais para a concessão se efectuar. O caminho-de-ferro podia começar a ser construído.

A 8 de Novembro de 1913, foi inaugurado o troço de Novelas a Lousada. O comboio, rebocado pela máquina «Lousada», chegou à Vila de Lousada por volta das 11 horas e o percurso fazia-se em 22 minutos.



Jorge Moreira, do 12º C

quarta-feira, 10 de março de 2010

VIDA QUOTIDIANA



Imagens recolhidas por Paula Sousa

A VIDA QUOTIDIANA

Na segunda metade do século XIX, regista-se uma nova organização social:
a nobreza perdeu privilégios, passou a pagar impostos, viu diminuídos os rendimentos, mas continuou a possuir muitas terras
  
O clero também perdeu muitos privilégios; as ordens religiosas foram extintas e as suas terras passaram a pertencer ao governo
A burguesia transformou-se no grupo social mais importante e viu a sua riqueza aumentada devido ao desenvolvimento do comércio e da indústria
O povo passou a ter, na lei, os mesmos direitos e deveres que os outros grupos sociais; na prática, continuou a ser o grupo que vivia com mais dificuldades e que desempenhava as tarefas mais duras e difíceis.


Na agricultura

Dividiram a terra:
- tirando-a à nobreza e ao clero e vendendo-a à burguesia;
- acabando com o "morgadio" (o filho mais velho herdava toda a propriedade);
- dividindo os baldios (terrenos incultos)
Introduziram novas técnicas de cultivo (alternância de culturas, sementes seleccionadas, adubos)
Introduziram novas alfaias e máquinas agrícolas.

Na exploração mineira
Desenvolveu-se a exploração mineira, sobretudo minas de cobre, ferro e carvão.
Junto a minas surgiram novas povoações
O carvão passou a ser a principal fonte de energia para uso doméstico e para a indústria.




                                                                                     
                                                                                                                           Mina de Aljustrel



Na indústria

No século XIX a indústria passou a utilizar máquinas.
Mas a grande "revolução" na indústria deu-se com a máquina a vapor.
Em Portugal a primeira foi usada em 1835.
A introdução das máquinas na indústria permitiu:
produzir em maior quantidade; produzir mais rapidamente; produzir em série; utilizar a divisão de tarefas; tornar os produtos mais baratos.



Ensino

Neste período, os vários governos reformaram o ensino: 1.o ensino primário tornou-se obrigatório e gratuito
2.o ensino liceal alargou-se a todas as capitais de distrito 3. foram criadas as primeiras escolas de ensino técnico 4.foram criados cursos universitários

Material escolar, (Entre elas a palmatória)

Comissão de Comemoração do Centenário da República nas Escolas (E. S. Lousada)

Exposição: “A Imprensa na 1ª República”

Ao longo desta semana estará patente no átrio da biblioteca a 1ª exposição do Centenário da República. Nesta exposição pode ver-se cópias dos originais de algumas capas de revistas e algumas 1ªs páginas de jornais de Lisboa e do Porto, do princípio de século XX, compilados pela professora Susana Silva, de História, e organizado pela professora bibliotecária Graça Coelho.




“Os jornais e as revistas do início de século XX exprimiam, de uma forma bastante livre, os protestos dos jornalistas. Um país-caricatura, virulento, trauliteiro, onde a denúncia era o dia-a-dia, a acusação parecia fácil e o insulto soava vulgar. A imprensa servia para defender causas, denegrir inimigos e proclamar ideias sem disfarces nenhuns… o que era preciso era captar a atenção dos leitores a todo o custo.”





Esta exposição também integra uma pequena história sobre a moeda Portuguesa e uma colecção de moedas e notas na História de Portugal.

MUITO RICOS E MUITO POBRES

O bairro mais elegante de Lisboa de há cem anos era o Chiado. Significava um mundo “chique”, onde se dava largas à imaginação com confeitarias e modistas, com os cafés, onde as tertúlias literárias se começavam a formar, com os ourives...


O resto era pobre. Vivia-se mal, andava-se sujo e descalço... 

Em Lousada o mundo era outro. Os donos das terras eram muito ricos. Tinham casas com quintas e caseiros. Os pobres trabalhavam de sol-a-sol para sobreviver.

Professora Bibliotecária da Escola Secundária de Lousada